Para escolher um implantodontista, verifique três coisas objetivas antes de qualquer orçamento: o registro ativo e o título de especialista no site do Conselho Regional de Odontologia, se o profissional exige tomografia e planejamento antes de operar, e se ele explica com clareza as alternativas e os limites do seu caso, inclusive quando o implante não é a melhor opção.
Abaixo, as 12 perguntas para levar na consulta, e o que uma boa resposta parece em cada uma delas.
Por que a escolha do profissional pesa mais que a marca do implante
Marcas de implante consolidadas têm desempenho amplamente documentado. O que varia muito mais, de caso para caso, é o diagnóstico, o planejamento, a execução cirúrgica e o acompanhamento. Um implante de boa procedência instalado em posição inadequada continua sendo um problema; um implante bem planejado tende a funcionar por décadas.
Por isso a conversa sobre marca, que costuma dominar o orçamento, é menos decisiva do que parece.
As 12 perguntas
1. Você é especialista em Implantodontia? Qual seu número de CRO?
Boa resposta: nome completo e número de registro informados sem hesitação, com a especialidade nomeada. Desconforto com essa pergunta é sinal.
2. Como posso conferir seu registro?
Boa resposta: orientação direta para consultar no site do Conselho Regional de Odontologia. Um profissional regularizado não tem nada a perder com a verificação.
3. Que exames você pede antes de indicar o implante?
Boa resposta: exame clínico e tomografia de feixe cônico. Indicação de cirurgia baseada apenas em radiografia panorâmica merece uma segunda opinião.
4. Você faz planejamento digital ou cirurgia guiada?
Boa resposta: explica se faz, em que casos indica e em que casos não vale a pena. Quem diz que usa em 100% dos casos está vendendo, não indicando.
5. Quem faz a prótese: você ou outro profissional?
Boa resposta: qualquer arranjo é válido, desde que quem planeja a cirurgia e quem faz a prótese estejam conversando desde o início. O que não funciona é cirurgia decidida sem consultar quem vai reabilitar.
6. Quais são as alternativas ao implante no meu caso?
Boa resposta: apresenta prótese fixa convencional, prótese removível ou até a opção de não intervir, com prós e contras. Quem só tem uma solução para todo problema deveria preocupar.
7. Em que situações você recomendaria não fazer o implante?
Boa resposta: cita condições concretas, como infecção ativa, osso insuficiente sem possibilidade de enxerto, tabagismo intenso, doenças descompensadas. Quem não tem contraindicação nenhuma na ponta da língua provavelmente não avalia contraindicações.
8. Qual marca de implante você usa e por quê?
Boa resposta: nomeia a marca, explica o critério e confirma a disponibilidade de componentes no futuro. Componente descontinuado é um problema real dez anos depois.
9. Como funciona o acompanhamento e a manutenção?
Boa resposta: descreve consultas de controle com periodicidade definida. Implante não é procedimento que termina na coroa.
10. O que está e o que não está incluído no orçamento?
Boa resposta: orçamento discriminado por item: exames, planejamento, guia, implante, componentes, prótese, retornos. Valor único fechado dificulta comparação e esconde surpresas.
11. Como você lida com pacientes com muito medo?
Boa resposta: descreve conduta concreta, como consulta inicial sem procedimento, sinal combinado de pausa, explicação prévia de cada etapa, sessões mais curtas. “Fica tranquilo que não dói” não é conduta.
12. O que acontece se algo der errado?
Boa resposta: explica o que é feito em caso de perda do implante ou complicação, e o que é coberto. Quem afirma que nunca dá problema está afirmando algo que a literatura não sustenta.
Sinais de alerta
- Promessa de resultado garantido
- Orçamento fechado sem nenhum exame de imagem
- Pressa para fechar na mesma consulta
- Desconto válido só hoje, ou por tempo limitado
- Registro profissional que você não consegue verificar
- Recusa em discutir alternativas ao implante
- Preço muito abaixo de todas as outras propostas, sem explicação do que foi retirado
Como consultar o CRO
A consulta é gratuita e leva menos de um minuto: busque por nome ou número no site do Conselho Regional de Odontologia do estado, ou no cadastro do Conselho Federal de Odontologia. O resultado mostra se o registro está ativo e quais especialidades constam. Vale saber que especialidade registrada é diferente de curso de aperfeiçoamento, e a consulta distingue as duas coisas.
Perguntas frequentes
Todo dentista pode fazer implante?
A legislação brasileira não reserva o procedimento exclusivamente ao especialista, mas Implantodontia é uma especialidade reconhecida, com formação específica. Para casos complexos, a diferença de formação é relevante.
Como sei se o especialista é registrado?
Consultando o registro no Conselho Regional de Odontologia. A especialidade aparece no cadastro quando foi devidamente registrada.
Vale a pena buscar segunda opinião?
Sim, especialmente em casos que envolvam vários implantes, enxerto ósseo ou valores altos. Leve o arquivo da sua tomografia para não repetir o exame.
Preço muito abaixo do mercado é problema?
Não necessariamente, mas exige entender o que explica a diferença: pode ser ausência de tomografia, componente de procedência distinta, prótese mais simples ou exclusão dos retornos. Peça a discriminação e compare item por item.
Leve as perguntas na sua avaliação
Na PróOdonto, você encontra o nome e o CRO de cada profissional da equipe. Leia também sobre cirurgia guiada e sobre a tomografia de feixe cônico, os dois temas da pergunta 3. A avaliação inclui exame de imagem e plano por escrito, sem compromisso de iniciar tratamento.
Autoria e revisão técnica: Alisson Matheus Santana dos Santos, Cirurgião-Dentista, CRO-SE 3147.
Este conteúdo tem caráter informativo e não substitui a consulta com um cirurgião-dentista. O diagnóstico e a indicação de tratamento dependem de avaliação individual.
Última revisão: 12 de agosto de 2026.